Sobre

Os sites de apuração mostram o percentual de cada candidato entre os votos já contados. Como algumas cidades e regiões enviam seus boletins antes de outras, esse parcial dá mais peso aos lugares onde a apuração anda mais rápido.

A projeção reduz esse desequilíbrio ao estimar os votos que faltam em cada lugar e a parcela de cada candidato. Testamos várias técnicas para fazer essa estimativa em três eleições presidenciais. Os gráficos e as tabelas abaixo comparam os resultados desses testes.

No 2º turno de 2022, a contagem simples mostrou Jair Bolsonaro à frente de Lula das 17:07 às 18:43, até 67% das seções apuradas, com vantagem de até 13 pp. Nenhuma das técnicas por vizinhança mostrou Jair Bolsonaro à frente em nenhum minuto da apuração. As projeções por zona e por município também não o mostraram à frente depois do ponto com 0,3% das seções apuradas.

Escolha uma eleição e uma técnica para rever a apuração minuto a minuto. A linha contínua mostra a projeção e a tracejada, a contagem simples. O segundo gráfico compara o erro das técnicas selecionadas. As opções por zona são testes históricos; a apuração usa municípios.

Município sem dados usa o município apurado mais próximo do mesmo estado, a até 50 km. Sem vizinho, usa o estado e depois a região. É a técnica padrão da apuração.

LulaJair Bolsonaro
Projeção: Município mais próximo · 50 kmContagem simplesFaixa empírica desta técnica
45%47,5%50%52,5%55%17:3018:0018:3019:0019:3020:0020:3050%Arraste para ampliar um intervalo de horário. Clique duas vezes para restaurar a escala.Arraste para ampliar um intervalo de valores. Clique duas vezes para restaurar a escala.
17:01 · 0,1% das seções · erro —
O gráfico reproduz a eleição de presidente de 2022 · 2º turno, com os boletins na ordem de recebimento pelo TSE e horários de Brasília. A faixa foi calibrada para esta técnica com as três eleições disponíveis. Ela cobre o maior erro entre todos os candidatos nesses testes. A cobertura em uma nova eleição é desconhecida. As linhas verticais marcam quando um sinal aparece ou some: vitória provável quando a vantagem do líder supera o maior erro histórico dessa vantagem. Os sinais só aparecem a partir de 20% do eleitorado apurado, e cada condição precisa durar 5 minutos. Os sinais usam as três eleições, incluindo a exibida. Para ampliar um trecho, arraste sobre os números de um eixo; um clique duplo restaura a escala.
Erro de cada técnica
Faixa empírica (selecionada)Margem teórica · seçõesMargem teórica · locais

Carregando margens teóricas…

0 pp1 pp2 pp3 pp4 pp5 pp17:3018:0018:3019:0019:3020:0020:30Arraste para ampliar um intervalo de horário. Clique duas vezes para restaurar a escala.Arraste para ampliar um intervalo de valores. Clique duas vezes para restaurar a escala.
Erro: maior diferença, em pontos percentuais, entre o percentual projetado de um candidato e o seu resultado final, considerando todos os candidatos. O eixo vertical corta valores acima de 5 pp, que ocorrem nos primeiros minutos, antes de 5% das seções apuradas. As margens teóricas são 1,96 × o maior erro padrão entre os candidatos, sob hipóteses de amostragem aleatória. A versão por locais considera seções que chegam juntas. As duas margens dependem dos dados já recebidos e não medem todo o viés da ordem de chegada dos boletins. A faixa empírica usa as três eleições, incluindo a exibida. Use os controles do gráfico acima para avançar ou voltar na apuração.

As técnicas por vizinhança são a zona mais próxima (50, 100 ou 500 km), o município mais próximo (50 ou 100 km) e as médias gaussianas. Com a zona mais próxima a até 50 km, a menor vantagem de Lula foi de 0,57 pp; com a versão por município usada ao vivo, de 0,50 pp. A projeção por município e a por zona mostraram Jair Bolsonaro à frente uma única vez, às 17:08, com 0,3% das seções apuradas, por 0,1 pp. A projeção por estado o manteve à frente até 18:20, com 44% das seções apuradas.

No 1º turno de 2022, a contagem simples mostrou Jair Bolsonaro à frente de Lula até 19:59, com 68% das seções apuradas. Quase todas as projeções o mostraram à frente apenas nos primeiros minutos, até 17:19, com menos de 0,4% das seções apuradas. A zona mais próxima a até 500 km nunca o mostrou à frente.

O cálculo comum a todas as técnicas

Toda projeção divide o eleitorado em unidades: estados, municípios ou zonas eleitorais dentro de cada município. Em cada unidade:

  1. Calculamos as taxas de comparecimento, brancos, nulos e votos de cada candidato por eleitor apto nas seções já apuradas.
  2. Aplicamos essas taxas a todo o eleitorado da unidade. Quando a unidade usa as próprias taxas, isso equivale a manter os votos já contados e estimar apenas os que faltam.
  3. Somamos as unidades. O percentual de cada candidato é sua parcela dos votos válidos projetados.

Uma unidade com seções apuradas usa as próprias taxas. As técnicas diferem no tamanho da unidade e no que fazem com unidades que ainda não têm nenhuma seção apurada. No método por estado, todos os municípios de um estado usam as mesmas taxas estaduais. A projeção nacional só aparece quando todas as regiões do país e o exterior têm alguma seção apurada.

As técnicas

As páginas Por município, zona e estado, Vizinho mais próximo e Média gaussiana explicam o cálculo, as alternativas quando faltam dados e os limites de cada família.

A contagem simples mostra apenas os votos já apurados e serve de referência para comparar as projeções.

FamíliaTécnicaQuando a área ainda não tem dados
Por município, zona e estadoPor municípioUsa as taxas do estado e depois da região
Por zona (município × zona eleitoral)Usa as taxas do município, depois do estado e da região
Por estadoUsa as taxas da região
Vizinho mais próximoMunicípio mais próximo · 50 ou 100 kmUsa o município apurado mais próximo do mesmo estado, dentro do raio. Sem vizinho, usa o estado e depois a região
Zona mais próxima · 50, 100 ou 500 kmUsa a zona apurada mais próxima do mesmo estado, dentro do raio. Sem vizinha, usa o município, depois o estado e a região
Média gaussianaPor município · escala de 25 kmCombina os totais dos municípios apurados do mesmo estado a até 75 km, ponderados pela distância. Sem vizinhos, usa o estado e depois a região
Por zona · escala de 25 kmCombina os totais das zonas apuradas do mesmo estado a até 75 km, ponderados pela distância. Sem vizinhas, usa o município, depois o estado e a região

A distância é medida entre os centros das unidades. O centro de uma unidade é a média das coordenadas dos seus locais de votação, ponderada pelo número de eleitores de cada local, segundo o cadastro do TSE. A vizinha precisa estar no mesmo estado. Os votos do exterior usam apenas o próprio exterior.

Estimativas para zonas sem dados

Este mapa fictício mostra as versões por zona. Avance a apuração, troque a técnica e clique numa zona hachurada para ver quais zonas apuradas fornecem as taxas da estimativa.

Zona sem dados copia o resultado da zona apurada mais próxima, a até 50 km. Sem vizinha no raio, usa o município e depois o estado.

50 km
Candidato AErro
Contagem simples45,1%3,3 pp
Projeção46,1%2,3 pp
Resultado final48,4%
Clique numa zona para ver de onde vem a sua projeção. Clique de novo para limpar.
  • Candidato A à frente · Candidato B à frente
  • Zona sem dados: cor da projeção
  • Limite de município
O exemplo fictício tem 96 zonas em 14 municípios, com dois candidatos e o mesmo comparecimento em todas as zonas. A capital, no centro, tem zonas grandes; o centro vota em B e a periferia em A. A capital e o leste apuram primeiro, por isso a contagem simples começa favorecendo B.

Quando um município inteiro está sem dados, a opção por município usa as taxas do estado. A zona mais próxima usa uma única zona apurada; a média gaussiana combina várias. Um raio maior pode alcançar zonas com outro perfil de voto. Como o exemplo tem um único estado e comparecimento igual em todas as zonas, a projeção por estado coincide com a contagem simples e não aparece como opção.

Testes com apurações anteriores

Reproduzimos a apuração para presidente minuto a minuto com os boletins de urna publicados pelo TSE. A ordem segue o horário de recebimento de cada boletim (DT_BU_RECEBIDO). Cada técnica só usa os boletins recebidos até aquele minuto.

Chamamos de erro a maior diferença, em pontos percentuais (pp), entre o percentual projetado de um candidato e o seu resultado final, considerando todos os candidatos. A tabela resume o erro entre 5% e 90% das seções apuradas, com o erro médio e o maior erro desse intervalo.

Os raios de 50 e 100 km foram escolhidos depois de testar várias alternativas no 1º turno de 2026. Os dois turnos de 2022 não participaram dessa escolha e servem como teste independente.

Resultados

A tabela mostra os erros em pontos percentuais no trecho entre 5% e 90% das seções apuradas. O menor valor de cada coluna aparece em negrito. A estrela (★) indica a técnica padrão da apuração, calculada por município.
Técnica2026 · 1º turno2022 · 2º turno2022 · 1º turno
MédioMaiorMédioMaiorMédioMaior
Contagem simples2,974,471,614,014,086,28
Por estado1,202,460,721,321,562,18
Por município0,571,340,430,761,111,77
Por zona0,511,230,380,690,991,54
Zona mais próxima · 50 km0,310,810,331,050,671,11
Zona mais próxima · 100 km0,291,010,341,470,631,04
Zona mais próxima · 500 km0,291,090,351,540,631,04
Média gaussiana por zona · 25 km0,350,570,361,160,701,09
Município mais próximo · 50 km ★0,380,850,380,830,731,28
Município mais próximo · 100 km0,360,830,381,280,711,22
Média gaussiana por município · 25 km0,430,940,431,110,851,43

Nas três eleições, as técnicas da zona mais próxima tiveram o menor erro médio. Elas reduziram o erro médio da projeção por município em 22% a 49%, e o da contagem simples em 79% a 90%. Veja a evolução minuto a minuto no comparador acima.

Resultados da zona mais próxima

Quando um município ainda não tem seções apuradas, a projeção por município usa a média do estado. Essa média reúne capitais, cidades médias e áreas rurais, e costuma ser bem diferente do município que falta. O vizinho apurado mais próximo tende a se parecer mais com ele.

Dentro das cidades grandes, a zona eleitoral separa bairros com perfis de voto diferentes. Por isso a versão por zona teve erro médio menor que a versão por município nas três eleições.

Um raio maior encontra vizinha para mais unidades, mas às vezes usa uma zona distante e diferente. Com raio de 50 km, o maior erro ficou menor do que com 100 km no 1º turno de 2026 (0,81 contra 1,01 pp) e no 2º turno de 2022 (1,05 contra 1,47 pp). O erro médio das duas ficou próximo.

No 2º turno de 2022, as técnicas por vizinhança tiveram erro médio menor que a projeção por município, mas um pico de erro maior: 1,05 pp às 17:26, com 5,7% das seções apuradas, contra 0,76 pp da projeção por município.

Técnicas disponíveis na apuração

A opção padrão da apuração é Município mais próximo · 50 km. Um município sem seções apuradas usa as taxas do município apurado mais próximo do mesmo estado, a até 50 km. A técnica pode ser trocada na página. As outras opções são Município mais próximo · 100 km, Média gaussiana por município · 25 km, Por município e Por estado.

A apuração usa municípios como unidade de cálculo porque os arquivos atualizados pelo TSE trazem os dados nesse nível. Acompanhar cada zona exigiria centenas de requisições a mais a cada atualização, e o TSE limita o número de requisições. As linhas "Município mais próximo" da tabela mostram o resultado dessa versão nos três testes. A média gaussiana por município teve erro médio maior que o município mais próximo nas três eleições e, no 2º turno de 2022, praticamente empatou com a projeção por município no erro médio (0,43 pp), com pico de erro maior (1,11 contra 0,76 pp).

Cada técnica tem uma faixa de erro própria, ajustada com as três eleições disponíveis. A faixa cobre os erros desses testes. A cobertura em uma nova eleição é desconhecida. O cálculo e seus limites estão na página Por município, zona e estado.

Limitações

  • O horário de recebimento dos boletins aproxima a ordem de divulgação, mas pode diferir dela, sobretudo nos primeiros minutos.
  • As primeiras seções de cada lugar tendem a ter um perfil de voto diferente das últimas. Nenhuma técnica elimina esse viés; elas só reduzem o efeito da ordem de chegada entre lugares diferentes.
  • As coordenadas vêm do cadastro de locais de votação do TSE do ano de cada eleição. Locais sem coordenadas válidas ficam fora do cálculo do centro. Unidades sem nenhum local com coordenadas usam o município, o estado e a região.
  • O desempenho nas três eleições testadas pode não se repetir em outra apuração.