Projeção por município, zona e estado
Essas três técnicas usam a mesma conta, mas agrupam as seções apuradas em áreas diferentes. Calculamos as taxas de comparecimento, brancos, nulos e votos de cada candidato por eleitor apto e aplicamos essas taxas a todo o eleitorado da área. Depois, somamos as estimativas.
Unidades de cálculo
| Técnica | Unidade de cálculo | Sem nenhuma seção apurada |
|---|---|---|
| Por município | Cada município | Usa o estado e depois a região |
| Por zona | Cada combinação de município e zona eleitoral | Usa o município, depois o estado e a região |
| Por estado | Cada estado | Usa a região |
A opção por zona trata separadamente a parte de uma zona eleitoral em cada município. Uma zona que atende dois municípios forma duas unidades de cálculo. Essa versão está disponível nos testes históricos. Na apuração, o seletor oferece Por município e Por estado, com os dados municipais divulgados pelo TSE.
A projeção nacional só aparece quando todas as regiões têm algum eleitorado apurado. O exterior forma uma região própria e não recebe taxas de estados brasileiros.
Cálculo da projeção
- Dividimos os votos de cada candidato pelo número de eleitores aptos das seções apuradas da área. Fazemos o mesmo com comparecimento, brancos e nulos.
- Multiplicamos essas taxas pelo total de eleitores aptos da área.
- Somamos os votos estimados de todas as áreas. O percentual de cada candidato é sua parcela dos votos válidos projetados.
Por exemplo, um município tem 10 mil eleitores aptos. Nas seções já apuradas, há 2 mil aptos e 800 votos para um candidato. A taxa é 800 ÷ 2.000 = 0,4 voto por eleitor apto. A estimativa para esse candidato no município é de 4 mil votos. Seu percentual de votos válidos só é calculado depois de somar as estimativas de todos os candidatos.
Quando usamos as taxas da própria área, essa conta equivale a manter os votos apurados e estimar os restantes. Uma área sem dados usa a primeira alternativa disponível da tabela. A contagem simples considera apenas os votos recebidos até aquele momento.
Efeito do tamanho da área
Calcular por estado dá a todos os municípios desse estado as mesmas taxas. O cálculo por município considera as diferenças de comparecimento e voto entre cidades. O cálculo por zona distingue também partes de uma cidade com perfis de voto diferentes.
Áreas menores podem passar mais tempo sem dados e depender da estimativa de outra área. Mesmo depois dos primeiros boletins, as seções apuradas podem ter um perfil diferente das que faltam. O detalhamento geográfico reduz algumas distorções da ordem de chegada, mas não elimina esse problema.
Teste com a apuração do 1º turno de 2026
Usamos os boletins de urna publicados pelo TSE (bweb_1t_*) para a eleição de presidente, com 499.206 seções do país e do exterior. Reproduzimos a apuração minuto a minuto pelo horário de recebimento de cada boletim (DT_BU_RECEBIDO). Comparamos os três métodos com o resultado final:
| Candidato | Resultado final (votos válidos) |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | 47,03% |
| Lula | 45,16% |
| Escritor Augusto Cury | 2,89% |
| Renan Santos | 2,24% |
| Ronaldo Caiado | 2,18% |
A contagem simples sugeriu vitória no 1º turno
Das 17:36 às 18:48, a contagem simples mostrou Flávio Bolsonaro acima de 50% dos votos válidos e chegou a 51,2%. Se esse percentual fosse o resultado final, a eleição terminaria no 1º turno. Ao fim desse período, 53% das seções estavam apuradas.
As projeções ficaram abaixo de 50% durante toda a apuração. A projeção por estado chegou a 49,5%, e a por município, a 49,2%. Por volta das 18:00, a projeção por município estava em torno de 47,8%, perto do resultado final.
A partir das 17:14, com 0,6% das seções apuradas, o mesmo candidato liderou os três métodos até o fim.
Convergência para o resultado final
Chamamos de erro a maior diferença entre o percentual de um candidato e seu resultado final, medida em pontos percentuais (pp). A tabela mostra quando cada método passou a ficar abaixo de um limite de erro e permaneceu assim até o fim:
| Erro < | Contagem simples | Projeção por estado | Projeção por município |
|---|---|---|---|
| 2 pp | 19:21 · 81,2% | 18:15 · 21,5% | 17:31 · 2,6% |
| 1 pp | 20:35 · 92,2% | 18:59 · 60,1% | 18:13 · 19,6% |
| 0,5 pp | 20:57 · 97,3% | 20:00 · 86,1% | 18:55 · 56,0% |
| 0,2 pp | 21:17 · 99,1% | 20:57 · 97,3% | 20:01 · 87,2% |
| 0,1 pp | 21:46 · 99,6% | 21:14 · 99,0% | 20:57 · 97,3% |
Horário de Brasília · percentual de seções apuradas naquele momento.
Erro em diferentes momentos da apuração:
| Seções apuradas | Contagem simples | Por estado | Por município |
|---|---|---|---|
| 1% | 2,23 pp | 1,21 pp | 1,34 pp |
| 5% | 3,98 pp | 2,34 pp | 1,34 pp |
| 10% | 4,40 pp | 2,28 pp | 1,21 pp |
| 20% | 4,38 pp | 2,02 pp | 0,96 pp |
| 30% | 4,01 pp | 1,67 pp | 0,89 pp |
| 50% | 3,44 pp | 1,18 pp | 0,54 pp |
| 70% | 2,58 pp | 0,78 pp | 0,34 pp |
| 90% | 1,21 pp | 0,40 pp | 0,17 pp |
| 99% | 0,22 pp | 0,10 pp | 0,05 pp |
Nesse teste, a projeção por estado atingiu esses limites de erro de 1 a 2 horas antes da contagem simples. Com o cálculo por município, a antecipação foi aproximadamente duas vezes maior.
Diferenças de voto dentro do estado
Dentro de um estado, os primeiros boletins não representam bem o conjunto dos eleitores. Capitais e cidades grandes costumam enviar seus resultados antes. Calcular cada município separadamente reduz a distorção causada por essa diferença de ritmo.
Margem teórica e erro observado
Testamos uma margem de erro teórica de 95%, usando o local de votação como unidade de amostragem. O cálculo pressupõe que os locais já apurados sejam uma amostra aleatória de cada município. No teste, essa margem indicou uma precisão maior do que a observada:
| Erro < | Erro real (por município) | Margem teórica de 95% |
|---|---|---|
| 2 pp | 17:31 · 2,6% | 17:12 · 0,3% |
| 1 pp | 18:13 · 19,6% | 17:31 · 2,6% |
| 0,5 pp | 18:55 · 56,0% | 17:36 · 3,9% |
| 0,2 pp | 20:01 · 87,2% | 18:19 · 25,1% |
| 0,1 pp | 20:57 · 97,3% | 18:41 · 46,4% |
Com 20% das seções apuradas, a margem teórica era de ±0,22 pp, enquanto o erro real chegava a 0,96 pp. A ordem de chegada dos boletins introduz um viés no cálculo. Dentro de cada município, as primeiras seções apuradas têm um perfil de voto diferente das últimas:
| Votos válidos de Flávio Bolsonaro | 1ª metade apurada de cada município | 2ª metade |
|---|---|---|
| Todos os municípios | 47,8% | 46,3% |
| Municípios com menos de 500 mil eleitores | 48,3% | 46,6% |
| Municípios grandes | 46,3% | 45,6% |
Cálculo da faixa de erro
A faixa sombreada cobre os erros observados nos dois turnos de 2022 e no 1º turno de 2026, conforme o avanço da apuração. Cada técnica tem uma curva própria, ajustada com os dados dessas três eleições.
- Em cada minuto dos testes, medimos a maior diferença absoluta entre a projeção de qualquer candidato e seu resultado final, em pontos percentuais. O cálculo inclui todos os candidatos, mesmo os que não aparecem no gráfico.
- Agrupamos esses erros em intervalos do eleitorado apurado, com limites em 0,5; 1; 2; 5; 10; 20; 30; 50; 70; 90; 95; 99; 99,5 e 99,9%. Em cada intervalo, guardamos o maior erro das três eleições.
- A curva só diminui com o avanço da apuração. Se um intervalo posterior teve erro maior, esse valor também vale para os anteriores.
- Ligamos os limites dos intervalos com retas. Cada limite recebe o maior erro dos dois intervalos vizinhos, para que a reta fique acima de todos os erros usados no ajuste.
Na apuração, a faixa depende só da técnica e do percentual do eleitorado apurado. Ela é aplicada para mais e para menos em torno da projeção de cada candidato:
| Eleitorado apurado | Por estado | Por município | Por zona |
|---|---|---|---|
| 5% | ±2,46 pp | ±2,21 pp | ±2,13 pp |
| 10% | ±2,46 pp | ±1,77 pp | ±1,54 pp |
| 30% | ±2,17 pp | ±1,77 pp | ±1,54 pp |
| 50% | ±2,02 pp | ±1,59 pp | ±1,36 pp |
| 70% | ±1,45 pp | ±1,04 pp | ±0,90 pp |
| 90% | ±0,98 pp | ±0,61 pp | ±0,58 pp |
| 99% | ±0,31 pp | ±0,19 pp | ±0,18 pp |
Entre 10% e 30%, as faixas por município e por zona ficam constantes. O erro dessas projeções no 1º turno de 2022 aumentou nesse trecho em relação ao observado logo depois de 5%. Como a curva não pode subir, a faixa também aumenta nos intervalos anteriores. Depois de 10% do eleitorado, os maiores erros das duas versões vieram desse turno.
O gráfico ao fim desta seção compara a faixa por município com o erro da mesma projeção no 1º turno de 2026. No meio da apuração, o erro de 2026 ficou bem abaixo da faixa. A linha pontilhada mostra a regra usada antes desta calibração: 1,3 pp × fração do eleitorado ainda não apurada, ajustada só ao 1º turno de 2026.
Para testar a faixa com dados que não participaram do ajuste, repetimos a calibração três vezes. Em cada vez, usamos duas eleições e verificamos quantos minutos da terceira ficaram dentro da faixa. A tabela considera os minutos com 5% a 90% das seções apuradas:
| Eleição deixada de fora | Por estado | Por município | Por zona |
|---|---|---|---|
| 2022 · 1º turno | 93,4% | 40,4% | 38,2% |
| 2022 · 2º turno | 100% | 100% | 100% |
| 2026 · 1º turno | 86,3% | 100% | 100% |
Sem o 1º turno de 2022, as faixas por município e por zona ficaram estreitas demais para esse turno, com erros até 0,66 e 0,60 pp acima delas. Erros semelhantes em uma eleição futura poderiam ultrapassar a faixa. Os minutos de uma mesma eleição são dependentes entre si. Com apenas três eleições, a probabilidade de cobertura futura permanece desconhecida.
No gráfico de erro do comparador, ao fim da página, compare a faixa com as margens teóricas da técnica selecionada, calculadas por seção e por local de votação. Essas margens ficam abaixo do erro real na maior parte do tempo.
Os testes terminam nos limites dos replays, em torno de 99,8% das seções ou oito horas de apuração. O trecho final da apuração fica fora da validação. A faixa permanece positiva enquanto houver eleitorado por apurar e chega a zero com 100% apurado. Os arquivos em docs/sobre/erro no repositório registram os resultados por técnica e eleição.
Limitações
- O TSE divulga os resultados em lotes. O horário de recebimento dos boletins (
DT_BU_RECEBIDO) aproxima essa ordem, mas pode diferir do horário de publicação, sobretudo nos primeiros minutos. - As primeiras seções de cada cidade tendem a ter um perfil de voto diferente das últimas. A projeção reduz o erro da contagem simples, mas esse viés permanece.
- A faixa usa três eleições históricas. A ordem de chegada dos boletins, as trocas de vizinho e o trecho final da apuração podem produzir erros maiores em outra eleição.
Métodos por distância
O vizinho mais próximo e a média gaussiana usam áreas próximas para estimar lugares sem dados. Cada página reúne as versões por município e zona, com gráficos para comparar e ajustar as distâncias nos testes históricos.
Comparação entre unidades de cálculo
Escolha Por município, Por zona ou Por estado no seletor para rever a mesma eleição com cada unidade. A opção por zona está disponível nos testes históricos; a apuração oferece as opções por município e estado.
Aplica as taxas de cada município ao seu eleitorado. Município sem dados usa o estado e depois a região.
Carregando margens teóricas…
| Técnica | 2026 · 1º turno | |
|---|---|---|
| Médio | Maior | |
| Contagem simples | 2,97 | 4,47 |
| Por estado | 1,20 | 2,46 |
| Por município | 0,57 | 1,34 |
| Por zona | 0,51 | 1,23 |
| Zona mais próxima · 50 km | 0,31 | 0,81 |
| Zona mais próxima · 100 km | 0,29 | 1,01 |
| Zona mais próxima · 500 km | 0,29 | 1,09 |
| Média gaussiana por zona · 25 km | 0,35 | 0,57 |
| Município mais próximo · 50 km ★ | 0,38 | 0,85 |
| Município mais próximo · 100 km | 0,36 | 0,83 |
| Média gaussiana por município · 25 km | 0,43 | 0,94 |